
Entrevista realizada em 25 de Agosto de 2006 com a Diretora de Educação Infantil do Colégio Presbiteriano Mackenzie, Débora Muniz.
Por Ana Ignácio e Nathália Duarte
Pedagoga
Professora por 21 anos
Hoje, responsável pela área administrativa.
O que seria um aluno especial?
Comumente, aluno especial é aquele que apresenta alguma dificuldade de aprendizagem ou aquele que tem alguma deficiência física que o impeça de ter o mesmo ritmo, facilidade de locomoção, audição, fala que os outros. Eu não gosto do termo crianças especiais porque todas são especiais. Cada uma é individual, singular e cada um é especial... Estas crianças, se por um lado exigem mais atenção e tempo, por outro lado elas têm muito a nos ensinar e a convivência de crianças que não têm esse tipo de dificuldade com crianças que têm é muito enriquecedora para ambas as partes. Aprender a conviver com as diferenças e entender que existem pessoas que às vezes têm dificuldades grandes e que a superam, acaba sendo muito educativo para os outros.
Esta ainda é uma questão vista com muito preconceito?
Eu não diria preconceito. Entre os professores não há, os professoras principalmente os nossos, entendem muito bem isso, trabalham muito bem, pra nós não há absolutamente diferença. Para alguns pais talvez haja medo, medo dessa convivência até pelo próprio cuidado maior que essas crianças requerem em alguns momentos. Preconceito acredito que não haja mais, as pessoas já aprenderam a entender. Pelo menos no nosso meio essa é a realidade. Talvez em comunidades que não tenham ainda passado por esse processo de amadurecimento possa existir. É uma questão de aprender. No começo tudo é mais difícil, o primeiro ano que você tem um aluno com dificuldades dessa natureza, a reação é uma, no seguinte já não há. À medida que o tempo vai passando as pessoas vão entendendo e aceitando e acabam se apegando às crianças. Elas são sempre muito carinhosas. A dificuldade que elas têm por um lado, elas compensam sendo muito afetivas por outro.
Existe alguma preparação especial para os professores que receberão alunos com necessidades especiais em suas turmas?
As coisas quando vão acontecendo, às vezes não nos dão tempo de parar e se preparar, mas nós temos muitos momentos de reunião, encontros onde isso é discutido. Já foi mais conversado quando o processo começou mas ainda hoje nós discutimos muito essas questões, a necessidade de nos adaptarmos e de aprendermos. Há um interesse muito grande das pessoas em aprender a trabalhar, entender qual é a dificuldade e o que fazer pra ajudar então, normalmente, quando nós recebemos uma crianças nova com alguma dificuldade não é precisa falar nada, as pessoas envolvidas no trabalho com aquela criança vão atrás de saber o que é, como tratar, as dificuldades que a criança pode apresentar, de que forma pode-se trabalhar melhor com ela e um já passa pro outro, então há um empenho grande de aprender para poder fazer melhor.
Você considera importante que a esses alunos seja dada uma atenção diferente ou trata-los iguais pode trazer mais benefícios?
Acho que o importante é cada um ser visto como um, agora, as regras e as normas têm que ser as mesmas para todo mundo. Tratar diferente no que diz respeito a regras é excluir então é um processo complicado, você está incluindo ou excluindo? Atender na sua necessidade, por exemplo, a crianças que têm um problema de visão é uma atitude que nós temos e todos entendem que ele não está sendo diferente, que ele está sendo atendido naquilo que ele tem dificuldade, num momento de prova, por exemplo. Assim como um aluno que não tem necessidade nenhuma, mas que quebra o braço, também tem um tratamento especial. Ele também é atendido separadamente por alguém, então eles percebem que a justiça, a forma de tratar é a mesma pra todos, o que muda é o atendimento naquele momento específico para uma dificuldade específica. Mas a regra do jogo é a mesma para todos.
O que você considera que traz mais benefícios para os alunos com necessidades especiais: Colocá-los em escolas especiais ou escolas comuns?
Acredito que o melhor é o que está se tentando fazer. Talvez nós ainda não tenhamos conseguido chegar ao ideal, mas separá-los, excluí-los num gueto deles, eu não vejo como trazer benefícios. Eles serão tratados com maior atenção, serão respeitados naquela dificuldade mas eles não terão a oportunidade do convívio. Agora, entendo que a criança que tenha alguma necessidade especial precisa freqüentar uma escola normal pra ter a convivência, mas ela também precisa, muitas vezes, do acompanhamento de um profissional específico. Não é só pôr na escola, é suprir também a necessidade com o profissional de que ela precisa. A criança precisa das duas coisas: da escola com a convivência e com o conteúdo, e de alguém que o atenda na sua necessidade. Deixar tudo pra escola também é impossível.
Os alunos com necessidades especiais têm possibilidade de se tornarem completamente independentes?
Sim, não vão a vida inteira ficar dependendo de alguém. Acredito que sim, sendo realizado um bom trabalho, a criança vai automaticamente evoluindo e gradativamente superando as suas dificuldades e podendo ter uma vida normal.
Há casos de crianças especiais no Mackenzie?
Temos bastantes. Temos síndrome de Down, deficiente visual, auditivo, paraplégico.
Alguns estão aqui ainda e convivem maravilhosamente com os outros alunos.
Vocês já receberam aqui no colégio algum caso de autismo?
Nós tivemos, sim, uma criança em que havia a suspeita mas você só pode dizer se é ou não depois de um laudo médico. Nós não aceitamos dizer que “é isso”, tem que ter um laudo médico que diga que a criança tem aquela doença, deficiência. Sempre que nós temos um aluno que precisa de acompanhamento de um profissional, a escola trabalha junto. Mantemos contato com o profissional porque acreditamos que o trabalho é melhor se for feito família, escola e profissional em conjunto, todo mundo trabalhando da mesma forma por um mesmo resultado.
É percebida a evolução dos alunos?
As professoras responderiam melhor sobre a evolução das crianças, mas há sim uma melhora efetiva. A menina que tem síndrome de Down, por exemplo, tem evoluído muito bem, está na educação infantil e tem por volta de 5 ou 6 anos.
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