Sunday, October 08, 2006

Chanceler fala sobre expansão e propaganda do Mackenzie

Por Tiago Cadedo e Rodrigo Vitulli

Segue a entrevista realizada com o Chanceler Augustus Nicodemus. Produzida para reportagem do Acontece "Big Mack" (edição nº 30) e pautada na expansão e publicidade da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

O novo prédio do campus já está em plena atividade?

A.N: Está sim. O edifício Modesto Carvalhosa foi planejado há dois anos, dois anos e meio. A idéia inicial era adquirir espaço para uma demanda interna, pois espaço foi e ainda é um problema muito grande, e já deixar espaço para novos alunos, porque a procura pelo Mackenzie continua sendo muito boa. O nosso vestibular é bastante procurando enquanto que em outras instituições, agente sabe pela divulgação da mídia, que a procura vem caindo, a ponto de deixar mais de um milhão de vagas disponíveis no mercado, o Mackenzie por sua vez sempre preenche todas as vagas, ainda mais agora com a ajuda do Prouni. O objetivo do prédio era atender a demanda externa e ainda resolver um problema interno, pois não tínhamos mais onde colocar nossas faculdades. Só que quando o prédio foi inaugurado, ele já nasceu completo, pois durante os dois anos e meio que se passaram enquanto era construído, o número de alunos do Mackenzie aumentou. Isso fez com que as novas vagas a serem abertas fossem totalmente tomadas por uma necessidade de acomodação interna.

Qual é o critério para a seleção dos cursos que sofrerão expansão?

A.N: Em primeiro lugar tem a questão da demanda do mercado, embora não seja o ideal, as universidades têm que estar “antenadas” no mercado. Não adianta você abrir um curso se o mercado for novo ou expandir um já aberto, se o mercado não oferece condições de absorver aqueles que vão se formar. Mas a questão não é apenas mercadológica, há também um critério de ajuda, vamos supor que estamos interessados em ampliar a área de saúde na universidade. O Mackenzie não tinha tradição nesse setor, mas com a entrada do reitor Manassés, que é cientista e pesquisador, abrimos um curso que tem tido muito sucesso com uma procura muito grande, o curso de Farmácia. E então veio a idéia de fortalecer o setor de saúde. A iniciativa de abrir cursos nessa área não tem tanto uma visão mercadológica, e sim de formar um conglomerado de ensino que futuramente servirá para fortalecer mutuamente todos os cursos, pois eles se complementam. Há ainda um terceiro critério, o MEC. Por exemplo, pedagogia é um curso que poucas universidades estão oferecendo hoje, por que geralmente é um curso deficitário. Então agente sabe que o MEC, aprova e incentiva que as faculdades abram vagas na área de pedagogia para atender uma demanda existente, mesmo sendo cursos deficitários.

A universidade pretende abrir ainda mais vagas?

A.N: Enquanto houver demanda sim. Agora, aqui no Campus Itambé, nós não temos mais espaço para isso, acredito que a expansão do Mackenzie agora deve se dar fora deste Campus. Nós temos o Tamboré que tem bastante espaço, e estamos trabalhando para abrir uma extensão do Mackenzie em Campinas, na área de Direito, Pedagogia e Administração. Já está praticamente tudo pronto, só estamos aguardando a visita do MEC, que fará a inspeção necessária para autorizar o início do projeto. Estamos ainda procurando locais que sejam favoráveis para essa expansão, mas a abertura de novas vagas aqui no campus está impossibilitada pela falta de espaço. Com o crescimento de alunos, aumenta a circulação, aumenta o número de carros nos estacionamentos, aumentam os problemas com a segurança, e uma série de outros fatores que complicam a nossa vida já desregulada. Por isso, não existe muita perspectiva de expansão para o Campus São Paulo. Estamos construindo um novo prédio na Piauí, mas ele não servirá para abrigar novas vagas, e sim para desfragmentar alguns cursos que estão espalhados em cinco ou seis edifícios diferentes. Dessa maneira fica muito difícil para o aluno, pois ele tem aula em lugares distantes entre si, situação que cria um problema desnecessário. Nossa idéia é então, acabar com essa fragmentação para que haja mais espaço e conforto para os alunos. É importante dizer também, que 33% dos professores do Mackenzie trabalham em tempo integral. Só que para você ter esse tipo de professores, é necessário fornecer espaço para ele pesquisar. E é aí que temos um outro problema de espaço. Neste prédio inaugurado agora, o Modesto Carvalhosa, há um espaço muito grande destinado aos professores. Por isso conseguiremos fazer com que esses professores passem o tempo todo aqui no Mackenzie. Quando não se tem espaço para o professor, ele é tempo integral, mas vem dar aula e depois vai embora, dessa maneira não sabemos se ele está pesquisando ou não.

A propaganda do Mackenzie está mais intensa. Qual o motivo dessa intensificação através de outdoors, anúncios de TV, no cinema e em revistas?

A.N: O objetivo não é divulgar a marca, até mesmo porque o Mackenzie é muito conhecido em São Paulo. Essa divulgação tem como missão manter a marca no mercado, não divulgá-la, simplesmente mantê-la. Note que essa divulgação é institucional, não é uma propaganda apelativa para questões de preço, por exemplo, queremos apenas manter a marca na consciência da nossa cidade, daí esta divulgação. Em partes, também fomos quase que obrigados a fazer isso, por causa da chamada concorrência predatória, coisa que o MEC está eliminando, e que consiste no surgimento espantoso de instituições oferecendo cursos de graduação e pós-graduação a preços absurdos de baixos e cursos de má qualidade através de uma campanha publicitária agressiva. Para se ter uma educação de qualidade, é necessário pagar bem os professores, investir em estrutura, enfim, isso tudo custa dinheiro.

Essa forte campanha publicitária realizada pelo Mackenzie, no entanto, não pode reduzir o prestígio da universidade por passar a imagem de uma universidade que precisa fazer isso pra sobreviver?

A.N: É uma boa pergunta! Uma avaliação muito interessante. De fato, se fazemos propaganda demais, o público começa a se perguntar “Por que estão fazendo?”. Nesse sentido, nosso grande aliado tem sido a mídia. Várias publicações têm afirmado que o Mackenzie permanece estável e praticamente intocado pela crise que acometeu as crises do ensino superior, a exemplo do que passou a PUC, ou grandes faculdades do Rio de Janeiro. Dessa forma, com o apoio da mídia, o Mackenzie tem se mantido inabalável. Sempre pagamos os professores, enquanto outras instituições atrasam salários por mais de um ano. Há anos que não se ouve falar em uma crise em nossa universidade. E isso nos dá muita tranqüilidade.

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