Por Lais Cattassini e Paula Angelo

>>>Foto Centro de Cultura: Centro de Cultura Judaica, localizado na Rua Oscar Freire.
A exposição “Coexistence” acabou de passar por São Paulo. Exibidos no Parque Ibirapuera os 45 painéis criados por artistas do mundo inteiro têm como objetivo eliminar o preconceito. Apesar da motivação em fazer culturas e religiões se comunicarem, na prática, pouco acontece.
São Paulo possui diversos pontos exclusivamente judeus. São cerca de 55 sinagogas na cidade, centros culturais e aproximadamente cinco colégios, além de “A Hebraica”, clube para a prática de esportes e divulgação da cultura hebraica. Nenhum desses espaços é objetivamente aberto ao público. Mesmo os centros culturais apresentam uma complicada burocracia para permitir a entrada. Os complexos sistemas de segurança impedem o contato com a religião mais antiga do planeta.
“Não sou a favor de mudanças na cultura”; Ricardo Berkiensztat, O vice-presidente da Federação Israelita de São Paulo
Tradição
O vice-presidente da Federação Israelita de São Paulo, Ricardo Berkiensztat acredita que, devido ao judaísmo ser uma religião baseada na tradição, principalmente, a preservação das tradições se faz necessária, para ele “A cultura é a maior herança de um povo e, através dela, a história se perpetua”. Algumas ações sociais possibilitam que os ensinamentos religiosos, como a Tzdacá (Justiça Social) e a frase “Ame o próximo como a ti mesmo” se enraizarem na sociedade, mas pouco se conhece da tradição judaica propriamente dita.
O aluno do segundo semestre de Administração do Mackenzie, Michel Fiszbein pratica a religião, mas não é ortodoxo. Ele diz “A religião judaica não deve ser aberta ao público. A cultura é parte da religião e gentios não a conhecem muito bem.” O presidente do conselho juvenil judaico sionista do Estado de São Paulo e aluno do terceiro semestre de jornalismo na Universidade Mackenzie, Tomer Savoia concorda: “manifestações anti-semitas, com a que aconteceu na USP, provocam o resguardo, mas não posso afirmar que, se o preconceito não existisse, o povo judeu seria mais aberto”. O mesmo diz Michel Hamoui, morador do bairro Higienópolis e seguidor ortodoxo da religião. E é tal receio que dificulta a interação entre o judaísmo e a colorida herança brasileira. Os prejudicados são todos, judeus ou gentios, todos perdem a chance de se conhecerem sem temor.

>>>Foto manifestação USP: Manifestação anti-semita em mural da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – FFLCH, na Universidade de São Paulo, demonstra que o preconceito realmente existe
Exposição “Coexistence”
O projeto Coexistência 2006 chegou ao Brasil por iniciativa do Centro de Cultura Judaica e é exibido por inteiro no parque do Ibirapuera, Praça da Paz.
São 45 painéis de 5 por 3 metros de 42 artistas de 18 países que buscam eliminar o preconceito contra religiões, culturas ou raças. Também estão expostos textos de filósofos, artistas e escritores.
A exposição já passou por diversas cidades, começando por Jerusalém, em maio de 2001. Exposta nos muros da cidade e unindo portões dos bairros judeus, cristãos e mulçumanos, foi uma resposta aos atos de violência ocorridos na região.
Serviço:
Centro de Cultura Judaica - Rua Oscar Freire, 2500 - telefone: 3065-4333
Federação Israelita do estado de São Paulo – telefone: 3088.0111
No comments:
Post a Comment